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domingo, 12 de janeiro de 2014 Cinema, Globo de Ouro | 14:00

O lado negro do Globo de Ouro

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O LADO NEGRO DO GLOBO DE OURO

Nem sempre os reflexos dourados das estatuetas conseguem apagar o lado negro de uma premiação. Todos tentam esquecer ou nem falar sobre os momentos mais sombrios que já ocorreram nos bastidores de uma cerimônia, mas sempre há alguém com uma boa memória. E o Globo de Ouro não foge disso, a tradicional premiação já passou por momentos que quase tiraram totalmente a credibilidade, e foram tão fortes ao ponto das mais drásticas consequências.

Para entender, é necessário olhar o passado…

É rotineiro uma produção ou um ator premiado em que os críticos, especialistas ou o público não concordam. Por motivos que podem ser por preferência pessoal ou até mesmo por concordância generalizada de que o concorrente era verdadeiramente melhor. Mas e quando fica provado que esse vencedor ruim só conseguiu essa conquista por meios nada “dignos”?

Em 1982, o ator Timothy Hutton subiu ao palco para apresentar a categoria “Nova Estrela do Ano em Filme” e revelou o nome do envelope: Pia Zadora por “Butterfly e a Mariposa”!

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Choque na face de muitas pessoas e aplausos contidos…

Quem é ela? Pia tinha começado a carreira ainda pequena na Broadway, fez algumas peças nada chamativas, uma passagem na TV e uma participação no péssimo filme “Santa Claus Conquers the Martians” (1964). Ela só voltaria aos cinemas com o premiado em questão, “Butterfly e a Mariposa”.

O longa dirigido por Matt Cimber, considerado de péssimo gosto – tem até o lendário Orson Welles, que faz uma ponta -, contava a história de uma filha (Pia) e a relação de incesto com o pai, onde tinha desdobramentos trágicos.

A atuação de Pia foi considerada medíocre pelos críticos, que afirmavam que ela só obteve o papel graças ao rico marido – ele custeou todo o filme.

Nada mais obvio para entender a escalação de Pia como protagonista.

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Porém, se Pia era tão ruim assim, como ela ganhou? A pergunta se intensifica ao descobrirmos quem eram os seus concorrentes perdedores: Elizabeth McGovern por “Na Época do Ragtime”, Howard E. Rollins Jr. por “Na Época do Ragtime” e a ótima Kathleen Turner por “Corpos Ardentes”.

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Como ela ganhou?! A revelação: Foi descoberto que os votantes do Globo de Ouro foram “comprados” pelo marido rico de Pia, Riklis.

Riklis era um magnata que gastava muito de seu tempo ao tentar deslanchar a carreira de sua esposa. Ele era o principal proprietário do Hotel Riviera, em Las Vegas , em que Pia cantava e dançava.

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label 6Algumas semanas antes do Globo de Ouro, ele convidou vários membros da imprensa estrangeira para que passassem à noite (com tudo pago) no seu caríssimo Hotel, em Las Vegas. No local, os membros puderam conferir de camarote o show completo de Pia. Semanas depois, Riklis levou outros membros do Globo de Ouro para que passassem o dia em sua mansão luxuosa, em Beverly Hills – lá eles tiveram um banquete e uma exibição privada de “Butterfly e a Mariposa”. Finalmente, dias antes do termino da votação, o marido milionário enviou presentes para maioria dos membros da imprensa estrangeira.

As revelações desses acontecimentos, após a vitória esquisita de Pia, tiraram totalmente a credibilidade do Globo de Ouro. Há quem afirme que a extinção da categoria “Nova Estrela do Ano em Filme” um ano depois foi exatamente pelo escândalo. Não tendo mais a categoria, as pessoas se esqueceriam, e com o tempo seria abafado. É uma pena, pois Kim Novak, Shirley MacLaine, Tippi Hedren, Ursula Andress, Diana Ross, Jessica Lange e Bette Midler foram algumas das vencedoras anteriores nesta mesma categoria, que um dia teve confiabilidade.

E se mexermos mais afundo na história do Globo de Ouro, mais um episodio sombrio surge.

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Em 1968, a Comissão Federal de Comunicações mandou um aviso para a NBC, que transmitia a cerimônia do Globo de Ouro. Um relatório da CFC dizia que a rede televisiva “enganava o público a respeito de como os vencedores eram formados”.

Naquela época, um funcionário da Comissão comentou que os prêmios não eram determinados por uma votação dos membros, como anunciado, mas por politicagem informal entre os membros da diretoria da associação. Esse funcionário ainda afirmou de que também havia indícios de que o vencedor era obrigado a participar da cerimônia, se ele ou ela se recusasse, outro vencedor era escolhido.

Essa controvérsia aborreceu tanto a NBC, que a rede deixou de transmitir a cerimônia por quase uma década! Então, os procedimentos de votação foram alterados – uma empresa de contabilidade foi contratada pelo Globo de Ouro – e a CFC não fez mais queixas a esse respeito. Assim, a premiação voltou a ser televisionada e a importância foi sendo adquirida novamente com o tempo.

Já se passaram décadas desde os casos de 1968 e 1982, mas quando certas indicações “esquisitas” surgem no Globo de Ouro, muitos fazem questão de lembrar esse lado negro da premiação.

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2 comentários | Comentar

  1. 52 Jefferson Borges 12/01/2014 19:44

    Que coisa TRISTE! haha 😀

  2. 51 Jonathan Kennedy 12/01/2014 17:49

    Tomara que isso não se repita novamente, queremos uma premiação justa e honesta da parte de todos os envolventes que trabalham no ramo! Atores, diretores, roteiristas, produtores merecem esse respeito!

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