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sábado, 17 de maio de 2014 Cannes 2013, Cinema | 20:00

Festival de Cannes 2014 – Dia 3 e 4: Dragões, estilistas, vingativos, bandidos e cowboys invadem a cidade francesa!

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cannes

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Os dias estão passando rapidamente em Cannes! As apresentações dos longas tornam-se cada vez mais movimentadas. Nesta sexta (16/05) e sábado (17/05), houve uma diversidade de temas expostos pelos diretores e suas estrelas nas produções selecionadas pelo festival.

The Captives

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Rosario Dawson, Ryan Reynolds e Mireille Enos na conferência de imprensa de “The Captives” – © AFP

“The Captives” conta a história de Matthew (Ryan Reynolds), que estava dirigindo seu carro e parou para fazer uma rápida compra, deixando a filha de nove anos, Cass (Peyton Kennedy/Alexia Fast), no banco de trás. Ao retornar, ela desaparece sem deixar pistas. Os policiais Nicole (Rosario Dawson) e Jeffrey (Scott Speedman) assumem o caso, mas nada descobrem. A primeira pista sobre a garota surge seis anos depois, quando os policiais estão investigando uma grande rede de pedofilia. Para a surpresa de todos, Cass tem um importante papel na organização, já que é ela quem entra em contato com as crianças pela internet para atraí-las. Apesar disto, ela segue sendo mantida em cativeiro por seu raptor, Mika (Kevin Durand).

O diretor Atom Egoyan apresentou-se acompanhado por toda a equipa de Captives (The Captive), apresentado em Competição. O realizador evocou nomeadamente o que o levou a interessar-se pelas consequências de um rapto.

Atom Egoyan, acerca da criação do seu filme: “A ideia deste filme ocorreu-me quando estava na costa oeste do Canadá. Um rapaz acabava de desaparecer tragicamente num parque ao pé de mim. Aliás continuam ainda cartazes neste parque sobre esse assunto, mesmo sendo ele procurado desde há muitos anos. Esta notícia andou muito tempo na minha cabeça. E a história do filme tomou forma.”

O realizador evocou a sua visão das personagens masculinas do filme: “Penso que todos os homens erram, por vezes cometam erros graves, como raptar uma criança. Foi o sentimento da culpabilidade provocada pelos erros da vida que me fascinou. Cada ser humano vive com remorso. Tentamos sempre corrigir os nossos erros. O filme tenta sublinhar a psicologia das suas personagens.”

Ryan Reynolds, sobre a sua preparação do filme: Li o roteiro e consultei documentos lendo muitos artigos que falavam destes casos trágicos. Levam sempre na maioria do tempo ao desmoronamento da família e em particular da relação entre os pais. É uma espécie de desintegração ao passar do tempo. Esta história incrível mexeu muito comigo até porque o meu próprio irmão ajuda estas vítimas no Canadá num serviço da polícia.”

Kevin Durand revelou como recebeu este papel:Fiquei honrado e aterrorizado por me terem proposto este papel. O perfil da minha personagem assustou-me. Li muito acerca do tema e interessei-me por histórias similares para me impregnar. Disse para comigo que era um desafio a vencer que de ter de desempenhar um papel assim.

As reações dos críticos foram negativas em sua maioria. Confira, abaixo:

Variety: “O que faz o novo filme particularmente desanimador é que parece se engajar deliberadamente com figuras de linguagem, temas e imagens que os fãs leais vão se lembrar da carreira que definiu o trabalho do cineasta de quase duas décadas atrás, elevando as expectativas iniciais, talvez irracionais que pode estar sendo um retrocesso, e talvez até mesmo um retorno, na tomada”.

The Guardian: “Outro dia no festival de cinema de Cannes e outro filme de uma estrela, este tão mal interpretado do início ao fim, que se sente como em um sonho terrível”.

London Evening Standard:Este filme intrigante de Atom Egoyan é um thriller verdadeiramente desagradável sobre uma rede de pedofilia”.

The Telegraph: “Este é o melhor filme de Egoyan por muito tempo: como Reynolds, ele precisava de um hit, e The Captive é um retorno bem-vindo à forma de The Sweet Hereafter”.

Hollywood Reporter:A trama aqui é tão irremediavelmente emaranhada, clichê, e desprovida de complexidade psicológica que é difícil de se preocupar com o que acontece há qualquer uma dessas pessoas”.

“The Captives” ainda não tem data de estreia para o Brasil.

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A equipe do filme no tapete vermelho do filme “The Captives” – © AFP

Como Treinar O Seu Dragão 2

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Kit Harington, Cate Blanchett, America Ferrera and Jay Baruchel na conferência de imprensa de “Como Treinar o Seu Dragão 2” – © FDC / M. Petit

“Como Treinar O Seu Dragão 2” segue depois de convencer o seu vilarejo que os dragões não devem ser combatidos, Soluço convive com seu dragão Fúria da Noite, e estes animais integraram pacificamente a rotina dos moradores da ilha de Berk. Entre viagens pelos céus e corridas de dragões, Soluço descobre uma caverna secreta, onde centenas de novos dragões vivem, e não estão dispostos a viver em hamonia com os habitantes da ilha. Enquanto o perigoso Dragon Rider ameaça acabar com a paz no local, Soluço e Fúria da Noite unem-se novamente para provar que homens e animais devem ser parceiros.

Os atores Djimon Hounsou, America Ferrera, Kit Harington, Cate Blanchett e Jay Baruchel, que foram até a cidade francesa, dão as vozes para os personagens animados.

Toda a equipe do filme de animação, apresentado fora da Competição, respondeu às perguntas dos jornalistas. Dean Deblois, o diretor do filme, revelou nomeadamente uma parte do argumento do último volume da trilogia.

Dean Deblois, sobre o terceiro longa: “Sem entrar em pormenores, uma das coisas que mantivemos em mente desde o início desta trilogia, é que vamos encerrá-la explicando no que se tornou o dragão. O mistério continua por agora… mas talvez revelemos tudo em Como Treinar O Seu Dragão 4”!

Cate Blanchett, sobre o fato de emprestar a voz a uma personagem animada: “É um privilégio poder viver esta experiência. Eu e os meus filhos adorámos o primeiro volume. Há muito humor no filme. É também um filme que tem um enorme coração. Enquanto atores, utilizamos todo o nosso corpo para comunicar. Aqui, apenas utilizamos a voz e é uma experiência espantosa. A grande diferença é também que não damos réplica aos outros atores, gravamos sozinhos diante de um microfone”!

Kit Harington, relativamente à sua experiência no filme:É a primeira vez que empresto a minha voz a um filme de animação e foi uma belíssima experiência que me libertou enquanto ator. O que quero dizer é que podemos expressar-nos como desejamos diante de um microfone. O meu problema é que me afastava demasiado dele para gesticular!”

Jeffrey Katzenberg sobre a Dreamworks, que festeja vinte anos, e o cinema de animação: “Cannes e a Dreamworks é uma história de amor que dura desde a projeção de Shrek! A animação por computador continua a ser uma arte muito jovem. O primeiro filme data de 1994. Constatamos ainda recursos incríveis em termos de tecnologia. Estou muito orgulhoso por ‘Como Treinar O Seu Dragão 2’ afastar as fronteiras. Tentamos sempre ultrapassar as expectativas do público”.

A nova continuação foi recebida com bastante entusiasmo por muitos críticos:

HitFix: “Com este segundo filme da série, Dean DeBlois (que escreveu e dirigiu o filme) transformou esta na propriedade global mais emocionante que a DreamWorks tem, live-action ou animação. O filme tem uma confiança imediata, e eles não gastam muito tempo tentando explicar o primeiro filme. Esta é uma sequência que tem sua própria história para contar e que vai direto ao ponto, e ele se expande sobre as ideias do primeiro filme, mas de uma maneira que conta uma história tematicamente satisfatória e completa. Em outras palavras, esta é a forma como as franquias devem funcionar”.

Variety: “A sequência da DreamWorks Animation  é ainda mais forte – que respira fogo fresco para a franquia, em vez de simplesmente requentar o original. Mais corajoso do que “Valente”, mais divertido do que “Frozen” e emocionalmente mais satisfatório do que muitas animações, “Dragão” oferece.”

William Goss: “Como Treinar o Seu Dragão 2: tão preocupado com a construção de mundo que é mais movimentada do que sincera ou emocionante. Ainda é agradável de assistir”.

Time:Se Dragão 1 serviu como rodas treinadoras para um tom mais complexo da DreamWorks, Dragão 2 é um totalmente maduro DreamWorks 2.0”.

“Como Treinar o seu Dragão 2” estreia em 19 de junho nos cinemas brasileiros.

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A equipe do filme no tapete vermelho de “Como Treinar o Seu Dragão 2” – © AFP

The Salvation

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Mads Mikkelsen, Eva Green and Jeffrey Dean Morgan na coletiva de imprensa de “The Salvation” – © FDC / K. Vygrivach

“The Salvation” mostra a América de 1870, um pacífico colono americano mata o culpado por assassinar sua família, o que desperta a fúria do líder de uma famosa gangue local. Os covardes moradores da cidade traem sua confiança e delatam sua localização e plano para o bandido. Sozinho, ele é forçado a caçar a gangue com as próprias mãos.

O último filme do realizador dinamarquês Kristian Levring foi programado para Fora da Competição na Sessão da meia-noite. “The Salvation” põe em cena Mads Mikkelsen, recompensado com o Prêmio de interpretação masculina em Cannes em 2012 por “A Caça” de Thomas Vinterberg. O elenco ainda é composto por Eva Green e Jeffrey Dean Morgan, que também compareceram no festival.

Em comparação com muitos longas já apresentados até o dia de hoje, o filme conseguiu alguns bons elogios e puxões de orelha. Veja, abaixo:

TFM:É exibido fora da competição no Festival de Cannes deste ano. Embora, não pareça provável encontrar o seu caminho para um público decente após a estreia. É uma tomada fresca interessante e de muitas maneiras no velho oeste, com seus forasteiros personagens centrais dinamarqueses e a mistura da língua americana e dinamarquesa. Na sua essência, é uma fantasia de vingança no-nonsense, mas tem algum subtexto de mente elevada para aqueles atrás de algo mais”.

Variety: “Esta reviravolta dinamarquesa sobre o mais americano dos gêneros recicla elementos de antigos filmes de faroeste, mas falo em grande estilo”.

Jessica Kiang: “É irônica esta devoção servil aos grandes filmes que vieram antes que define o filme de Levring a uma distância a partir deles, porque se eles são os genuínos, “The Salvation” é pouco mais do que um falso extremamente afetuoso”.

Hollywood Reporter: “Pode haver um momento ou dois, quando um uso de um clichê provoca uma risada indesejada, mas, de modo geral, Levring emprega convenções ocidentais com conhecimento de causa suficiente para obter um passe”.

Total Film:Eva Green deslumbra em um papel sem diálogo, Mikkelsen é previsivelmente grande como um pistoleiro obrigado pela honra sem nada a perder, e Jeffrey Dean Morgan traz apenas o nível de ameaça aterrorizante e divertido humor negro para a tela como o cowboy mal (…)”.

“The Salvation” ainda não tem data de estreia para o Brasil.

Saint Laurent

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Gaspard Ulliel na conferência de imprensa de “Saint Laurent” – © FDC / M. Petit

“Saint Laurent” é um filme biográfico sobre a vida do estilista Yves Saint-Laurent (Gaspard Ulliel), centrado no período entre 1965 a 1976.

A conferência de imprensa de Saint Laurent, filme em Competição, ocorreu hoje. O realizador Bertrand Bonello veio falar do seu filme perante a bateria de jornalistas. Estavam ao seu lado: Gaspard Ulliel, o ator belga Jérémie Rénier, Léa Seydoux, Amira Casar e a atriz Aymeline Valade. Quanto à produção, Christophe Lambert e os irmãos Eric e Nicolas Altmayer representaram o filme. O co-argumentista Thomas Bidegain estava igualmente presente.

Bertrand Bonello sobre a criação do filme: “Sinto orgulho neste filme, de ter tido a liberdade de fazer a longa-metragem que gostávamos”.

Gaspard Ulliel conta a sua preparação: “Existe uma parte de mim na minha interpretação de Yves Saint Laurent. Um ator tenta descobrir os seus limites a cada experiência. Estava posto a nu por vezes, fisicamente certo, mas ainda mais porque devia interpretar a depressão, ou quando se sentia só”.

O ator voltou igualmente aos seus parceiros do filme masculino:Com Jérémie Rénier, existe quase uma sensualidade entre nós. Conhecemo-nos desde há tanto tempo. Com Louis Garrel que conhecia pouco, houve uma espécie de graça, algo instalou-se. Nas cenas com Bascher, vimos o filme aparecer… A cena do beijo era a única que não estava no roteiro”.

Bertrand Bonello falou sobre as exigências técnicas do filme: “Tinha isso muito a peito, queria filmar em 35 mm. Isso oferece uma suavidade, uma riqueza às texturas que o digital pode por vezes ocultar”.

Jérémie Rénier sobre o seu método de trabalho: “A minha função, era observar Gaspard trabalhar, e empurrá-lo. Vê-lo construir Yves”.

O longa obteve críticas mistas de aprovação e reprovação. Confira, abaixo:

The Guardian: “Finalmente, Saint Laurent é bem feito, mas desconcertantemente sem ar e claustrofóbico filme, como estar com próprio Tutancâmon da moda, viver e morrer dentro de seu próprio túmulo ricamente decorado – e sentimentalmente indulgente até o fim.”

Variety: “O segundo ano cinebiografia da lenda da moda francesa é uma lindo evocação, sedutoramente boba de seu impulso criativo”.

Cine Vue: “Saint Laurent continua a ser um retrato elegante de um homem lutando com a falta de luta; é lindo de se ver, ao mesmo tempo admitindo o seu próprio coração vazio”.

The Telegraph: “Esta biografia de Yves Saint Laurent não diz nada sobre o designer de moda (…). Saint Laurent, o novo filme de Bertrand Bonello, é o segundo filme biográfico de Yves Saint Laurent a ser lançado nos últimos quatro meses, (…). Bem, o filme de Bonello, que foi exibido em competição no Festival de Cannes mais cedo hoje é certamente diferente do seu antecessor muito recente: é simultaneamente muito melhor e muito, muito pior”.

“Saint Laurent” ainda não tem data de estreia para o Brasil.

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Léa Seydoux e Gaspard Ulliel no tapete vermelho de “Saint Laurent” – © AFP / V. Hache

Relatos salvajes (Wild Tales)

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Agustín Almodóvar, Damián Szifrón, Pedro Almodóvar e Hugo Sigman na conferência de imprensa de “Wild Tales” – © AFP

“Relatos salvajes” demonstra com 6 histórias como as pessoas são vulneráveis perante uma realidade confusa e imprevisível, além de atravessarem a fronteira que separa a civilização da barbaridade. Uma traição amorosa, o regresso do passado, uma tragédia ou inclusive a violência de um detalhe do cotidiano são os detonadores que levam esses personagens até ao abismo, até ao inegável prazer de perder o controle.

Damián Szifron, com parte da equipe de ‘Relatos salvajes’ (Wild Tales) – Os atores Leonardo Sbaraglia, Érica Rivas, Ricardo Darín, Oscar Martinez, Maria Marull; os produtores Agustin Almodovar e Hugo Sigman –, respondeu às perguntas dos jornalistas. O diretor argentino de 38 anos conversou jovialmente e um pouco louco, seguindo o espírito do seu filme. Uma conferência com humor.

Damián Szifron, à pergunta sobre quantas narrativas foram inicialmente escritas: “Inicialmente havia mais narrativas, 12 exatamente. No final escolhi seis e a reunião desses contos, mais selvagem que os outros, deu o título ao filme. Quanto à ordem: as histórias estão ordenadas no sentido de uma montanha russa emocional, não há verdadeiramente uma ordem.”

Damián Szifron, sobre si e sobre a sociedade: “Sou realizador de cinema e tenho a sorte de poder expressar-me sobre o que me causa stress. Se tivesse nascido em condições difíceis, não teria sido um ser dócil. Com certeza, estaria na prisão se não tivesse a sorte de ser realizador e poder expressar-me… outros não têm essa sorte. Muitas pessoas têm um trabalho difícil e enfrentam na vida quotidiana cenas irritantes e injustas. Há muitas vítimas desse sistema. O homem, mesmo se é amor, possui uma quota de perversão! Por exemplo, uma pessoa que te ultrapassa com velocidade, queres matá-la e o cinema permite-te fazer isso! Este filme não é uma representação realista, trata mais da sensação que nos provoca essa realidade.”

Os atores, sobre a parte de improvisação no fime: “Damián é muito preciso, rigoroso, não houve improvisação. Conhece cada vírgula do seu argumento. A única frase improvisada é “Madre mia de mi curaçao.”

As reações que ainda chegam da cidade francesa são consideradas positivas. Veja, abaixo:

The Guardian:Szifrón tomou alguma influência de Pedro Almodóvar (que, de fato, co-produz o filme), talvez alguma coisa da selvageria dionisíaco de Emir Kusturica e até mesmo as tensões de “Encurralado” de Spielberg e “Pulp Fiction” do Tarantino”.

The Irish Times: “Mais do que tudo, porém, ‘Wild Tales’ deve ser recomendado para a pura diversão da experiência. Tendo assistido cinco festivais, nunca antes ouvido quatro aplausos altos durante a exibição de um filme”.

TFM:Nunca vi uma coleção de diversos personagens sendo empurrados para seus limites e espetacularmente perderem o controle; tão divertido como é neste violento, mas divertido filme de Argentina”.

“Relatos salvajes” (Wild Tales) ainda não tem data de estreia.

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A equipe do filme “Wild Tales” no tapete vermelho – © AFP / V. Hache

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