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quarta-feira, 21 de maio de 2014 Cannes 2013, Cinema | 20:00

Festival de Cannes 2014 – Dia 8: Depois de “O Artista”, Michel Hazanavicius joga um balde de água fria com “The Search” e decepciona os críticos!

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Michel Hazanavicius and Bérénice Bejo during the photocall for The Search at the 67th Cannes film

Vamos voltar no tempo, em Cannes… Em 2011, um filme de um diretor aparentemente desconhecido para o mundo estreava no festival: “O Artista”. Assim, o diretor Michel Hazanavicius se tornava uma verdadeira revelação do cinema e em menos de 10 meses, ele subia ao palco do Oscar 2012 para receber a sua estatueta.

Por isso, a notícia de que o novo filme de Michel pós-o-Artista seria lançado esse ano, em Cannes, parecia altamente promissor. Os críticos começaram a criar altas expectativas e passaram (naturalmente) a trilhar uma nova corrida para o Oscar 2015. Mas como dizem, uma ótima experiência, dificilmente, se repete duas vezes…

O longa “The Search” passa-se durante a segunda guerra da Chechênia, em 1999. Conta, à escala humana, a história de quatro destinos que a guerra vai cruzar. Depois do assassinato dos pais na sua aldeia, um rapaz junta-se à maré de refugiados. Encontra a Carole (Bérénice Bejo), responsável de missão para a União Europeia. Com ela, volta pouco a pouco à vida. Paralelamente a Raïssa, a irmã mais velha, procura-o ativamente entre os exilados.  O Kolia, jovem russo de 20 anos, é chamado para o exército. E pouco a pouco, também vai entrar na rotina da guerra.

O elenco é composto também por Annette Bening e o jovem Maksim Emelyanov.

Michel Hazanavicius, Bérénice Bejo e toda a equipe de The Search, apresentado em Competição, submeteram-se ao tradicional frente-a-frente com a imprensa.

Michel Hazanavicius, acerca da dificuldade em tratar um tema tão sensível como o de The Search: “Nunca tive a sensação de fazer filmes simples. Pelo menos nasceram todos de um desejo muito forte. Os constrangimentos do tema fazem parte dos elementos com os quais tem de trabalhar. O desejo deste filme é multiplicado, mas a razão principal era contar esta história que ninguém no cinema tinha ainda contado. Achava interessante colocar-me o mais perto possível do ser humano. Tentei trabalhar numa relação mais direta com as personagens e a história.”

Michel Hazanavicius, questionado sobre a pertinência em debruçar-se sobre este tema: “Quando começamos a interessar-nos pela Chechênia, a questão da pertinência sobre o tema já não se faz. Tem todos os ingredientes da guerra moderna. A guerra deslocou-se dos militares para as populações. Fala-se aqui de centena de milhares de mortes. As imagens foram controladas e orientadas. O facto das pessoas serem massacradas na indiferença geral, toca-me.”

Michel Hazanavicius, sobre a imagem do exército russo divulgada no filme: “Tentei fazer um filme em que são seres humanos que sofrem com a guerra, quer sejam militares ou não. Não queria que as personagens tivessem uma consciência política. Segundo o que pude ler, o exército russo era bastante duro, com um funcionamento bastante violento. Na época, está numa fase de reconstrução e é em parte constituída por mercenários. Consultei muita documentação sobre o tema. Não penso ter traído a realidade do quotidiano dos soldados.”

Bérénice Bejo, acerca do seu papel e da música: “O que achava interessante, era que Michel  tinha-me escrito uma personagem que não é o herói da história. Os ocidentais são sempre os que sabem, nos filmes de guerra. Aí, são os civis que são valorizados. A música faz parte da cultura das aldeias onde rodamos o filme, está enraizado neles e constitui uma forma de se expressar. É um filme que fala da resiliência.”

A expectativa de um novo trabalho de um vencedor do Oscar é sempre alta, então quando o filme não é tão bom, a crítica fica extremante decepcionada. Veja, abaixo:

The Telegraph deu duas estrelas: “O fator de auto-importância é tão alta, e a recompensa tão baixa, que é o primeiro filme em Cannes em competição deste ano a convidar um coro de vaias saudável e indignado”.

Hit Fix: “Correndo o risco de ser indelicado sobre um cineasta que me encantou (e muitos outros) para que de forma inequívoca com o seu último filme, ele provavelmente tentou destinar a abrir qualquer filme com estas palavras: “O que é este pedaço de mer@#?”.

The Guardian deu duas estrelas: “(…) o resultado aqui é ingênuo e mal interpretado”.

Time Out London:o tipo de filme para o qual foram inventados os termos: bem-intencionado e equivocado”.

The Irish Times: “(…) tudo fica um pouco perdido no longo tempo de execução e as muitas mudanças dissonantes em tom e conteúdo”.

Parece que já podemos dar adeus há mais um filme que estava na linha de largada da corrida para o Oscar 2015.

“The Search” ainda não tem data de estreia.

Veja novas fotos do oitavo dia do festival, abaixo:

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The Search © FDC / M. Petit

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Bérénice Bejo, Abdul-Khalim Mamatsuiev e Michel Hazanavicius – The Search © FDC / M. Petit

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Michel Hazanavicius and Bérénice Bejo – The Search © FDC / K. Vygrivach

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Bérénice Bejo e Michel Hazanavicius – The Search © FDC / C. Duchene

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The search © AFP / A. Pizzoli

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Bérénice Bejo, Abdul-Khalim Mamatsuiev e Michel Hazanavicius – The Search © AFP / B. Langlois

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Bérénice Bejo – The Search © AFP / A. Pizzoli

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