Publicidade

Arquivo da Categoria Missão Crítica

sexta-feira, 17 de agosto de 2012 Cinema, Missão Crítica | 11:00

Missão Crítica: “360” não é apenas um caleidoscópio humano, visual e dramático, mas é também a reprodução de como as vidas andam sempre em círculos

Compartilhe: Twitter

Depois da adaptação “O Ensaio Sobre a Cegueira”, o diretor Fernando Meirelles mais uma vez usa a receita repetida: atores de diferentes nacionalidades, a mistura de línguas e o descontentamento dos caminhos da vida.

A trama é uma teia do destino tecida ao longo do filme, onde cada ator passa a história para o outro, mesmo que não diretamente, todos se conectam pela infelicidade da vida atual. Aqui temos um 360, um circulo, aonde o início e o fim vão se encontrar de qualquer jeito em um mesmo ponto.

Não temos como revelar muito do enredo, já que a história é bem fechada e se dissermos muito, as surpresas serão desfeitas, e nós não queremos tomar responsabilidade nisso. Então, diremos quais são as questões que os personagens lindam e lidarão no decorrer do longa.

Mirka (Lucia Siposová) não gosta da pobreza de sua vida e quer enriquecer a qualquer custo; Anna (Gabriela Marcinkova) – irmã de Mirka – não é decidida e sente falta de um rumo; Michael Daly (Jude Law) está descontente no casamento e pensa na infidelidade; Rose (Rachel Weisz) – mulher de Michael – é infiel e quer tentar arrumar o seu casamento; Rui (Juliano Cazarré) é um brasileiro lutando em um país estrangeiro e que busca a fama; Laura (Maria Flor) – namorada de Rui – é uma brasileira em um país estranho e que está decepcionada com o amor; Tyler (Ben Foster) é um homem atormentado com medo da liberdade e à procura da íntegra redenção; John (Anthony Hopkins) é um pai amargurando atrás de uma filha magoada; Valentina (Dinara Drukarova) é uma esposa infeliz e apaixonada por outro homem; O dentista interpretado por Jamel Debbouze está em dúvida entre a religião e o amor pecaminoso de uma mulher casada; e Sergei (Vladimir Vdovichenkov) se sente aprisionado e procura a liberdade.

Por trazer muitos personagens, pouco destaque se consegue dentro do filme, é claro que todos se tornam “protagonistas” por breves momentos, mesmo assim, é aquela velha história de quando se tem muito, também pode não se ter nada. Os atores menos conhecidos do grande público conseguem se sair melhor do que os hollywoodianos – não que Jude Law, Rachel Weisz e Anthony Hopkins estejam ruins, mas a verdade é que aparecem apagados se comparamos com o resto do elenco.

O roteiro é profundo, mas de certa forma fica superficial se olharmos para a peça “La Ronde” de Arthur Schnitzler, do qual o filme foi inspirado, as questões melancólicas são vistas por cima e com rapidez – um ritmo que é realmente apropriado para o cinema, porém perigoso para a estrutura narrativa.

Além do longa ser uma ciranda de atores com histórias que se cruzam a todo o momento, a parte visual é um verdadeiro caleidoscópio, onde temos o abuso de sequências split-screen e cenários compostos de vidros e espelhos, que refletem os outros “eus” dos personagens. Temos também aparição (em excesso) de aviões em várias cenas – as chegadas e as partidas –, não há melhor transporte que transmita a ideia da despedida, do reencontro e o atravessar ao redor do planeta, o que nos leva novamente a concepção do “360”.

Leia mais »

Autor: Tags:

Cinema, Missão Crítica | 08:00

Missão Crítica: “Um Divã Para Dois” traz a bela química entre Meryl Streep e Tommy Lee Jones, que nos lembra de que o sexo não tem idade

Compartilhe: Twitter

Depois de “A Dama de Ferro”, os fãs de Meryl Streep vão encontrar uma personagem totalmente oposta à ex-primeira-ministra Margaret Thatcher.

A trama começa com Kay (Streep) e Arnold, interpretado por Tommy Lee Jones, que vivem uma rotineira vida sem afeto e sem um relacionamento sexual ativo. Kay e Arnold dormem em camas separadas por um motivo que é revelado no meio do enredo e que nada tem haver com brigas e desentendimentos. Mesmo assim, os dois parecem distantes, Kay sente vontade de dormir com o seu marido, de fazer amor, já Arnold prefere dormir e não dar muita atenção ao desejo de sua esposa.

Kay está descontente com a vida atual, ela sente isso, quer mudar isso, e dá o primeiro passo, vai até uma livraria onde encontra o livro do Dr. Bernie (Steve Carell), que promete ajudar aqueles que ainda se amam. Para poder conseguir mudar o seu relacionamento, ela precisa participar com o seu marido durante uma semana de uma terapia de casal presidida pelo Dr. Bernie, em Maine, Hopes Springs. Kay fica decidida e toma coragem de comprar as passagens para o vilarejo distante, já Arnold é contrário à ideia que parece até abominável. Mesmo reclamando pelos cotovelos, o marido segue a sua mulher.

Dessa forma, a história começa a tomar mais contorno, tanto Kay quanto Arnold vão descobrir que essas sessões com Dr. Bernie serão libertadoras, reveladoras e sem volta no futuro.

O filme não tem apenas comédia, tem boas porções de drama, ficamos assim diante de uma dramédia. Kay e Arnold passam por aquele estágio em que os filhos já saíram de casa e que podem voltar a ser um casal, como no início do casamento. Na teoria parece irresistível, mas eles mudaram e aquela empolgação do começo da juventude passou, é diferente, tudo se modificou. A rotina está fincada na vida do casal, os dois se relacionam de uma forma que se assemelha a de uma mãe com um filho. E isso é um sinal prejudicial.

A história demonstra como que até os casais mais velhos e experientes, às vezes (ou quase sempre) precisam redescobrir o desejo, necessitam reaprender a fazer amor, realizar fantasias e reacender a chama do sexo. A questão da idade é um fator que sempre faz os casais pararem de se relacionar intimamente, isso incomoda principalmente as mulheres, e Kay não é uma exceção, que tem medo que o seu marido não sinta mais desejo por ela pelo fato de sua juventude ter se esvaído.

O relacionamento também vai mal pelo confronto de identidades. Arnold é aquele tipo de homem fechado, carrancudo, reclamador, senhor da verdade e avarento, contudo, com todos os defeitos, não deixa de ser fiel. Já Kat tem dificuldades de se impor, falar e agir, além disso, tomar decisões está no final de sua lista. Ela é uma verdadeira e típica dona de casa que existe em grande parte dos subúrbios americanos.

Como falar de Streep sem não elogiá-la? É incrível ver uma atriz de sua idade (63 anos), ainda trabalhar tão ativamente em filmes com enredos chamativos e inspiradores. Neste filme, Streep, que continua bela, mostra com a maquiagem e cabelo que chegou à terceira idade, já que a personagem pede realmente esse tipo de tratamento. O tom cálido incialmente dado com os sorrisos e olhares ternos são acolhedores e amáveis, nos conquista. Streep mostra com maestria o desconforto de uma dona de casa que precisa aprender a fazer sexo oral, algo que o seu marido parece gostar e que ela não tem jeito algum.

Leia mais »

Autor: Tags:

quinta-feira, 9 de agosto de 2012 Cinema, Missão Crítica | 16:00

Missão Crítica: O filme “LOLA” segue uma receita repetida que sempre faz alarde entre os adolescentes e insucesso entre os cinéfilos!

Compartilhe: Twitter

Quantos anos você tem? Acima dos 18? Se a resposta for sim, você vai ter a sensação de que já viu esse estilo de filme em algum lugar. Agora, se você tem menos de 16 anos, vai achar toda à história bem nova.

“LOLA” conta a história de uma jovem de mesmo nome, que vive aquela velha fase que muitos já passaram, estão passando ou vão passar: a adolescência. Aqui você vai encontrar de tudo, os estereótipos dos mais comuns, como a menina malvada/safada da escola, o menino dos sonhos, o nerd, a menina revoltada, a mãe preocupada, a avó legal, entre outros.

Uma diferença dos filmes tradicionais de “teenagers” e alguns passados, esses jovens têm um bom dinheiro no bolso, usam os mais modernos aparelhos eletrônicos, estão sempre conectados, conseguem uma liberdade exacerbada e fazer sexo é algo tão comum quanto atender um celular, quer dizer, nem todo mundo pensa dessa forma, Lola está esperando um “cara” certo para perder a virgindade. Neste ponto é que a trama parece como qualquer filme sobre adolescentes. E é claro, não falta nesta receita os famosos ingredientes – lá vêm os clichês: um diário lido por um intruso, uma festa louca, uma paixonite pelo professor, jovens despreocupados com estudos, mal entendidos amorosos, ilusões românticas, revolta contra os adultos e pais que não entendem os filhos.

A protagonista Miley Cyrus, que está na casa dos 19 anos, ainda é nova e consegue convencer com facilidade os dilemas e dificuldades de ser uma adolescente, ela maneja de forma plausível (apesar de ainda ser inexperiente) uma personagem que movida por hormônios, não tem muitas questões profundas – apesar de achar que tem. Já a bela Demi Moore, que interpreta a mãe de Lola, faz o melhor que pode com a sua personagem e com o roteiro dado – não há outra saída a não ser fazer o normal das mães nos filmes adolescentes. Mesmo a personagem tendo um comportamento “moderno” diante das situações criadas pela filha, em algum momento ela cai no modelo tradicional e já esperado.

Leia mais »

Autor: Tags:

quinta-feira, 2 de agosto de 2012 Cinema, Missão Crítica | 10:00

Missão Crítica: "Bel Ami – O Sedutor" tem um roteiro mal costurado com personagens superficiais e de sensualidade forçada

Compartilhe: Twitter

Os fãs de Robert Pattinson vão encontrar um personagem bem diferente, que não liga para a nudez e sequer tem escrúpulos.

Pattinson interpreta o protagonista Georges, um homem que após a guerra na Argélia, decide ir para Paris na procura de boas oportunidades. Porém, o dinheiro fica nas últimas e ele começa a passar fome, com os seus últimos trocados, Georges vai até um bordel. Lá encontra Forestier, que lutou junto dele na guerra, e que agora se encontra estabilizado em um emprego de importância no jornal La Vie Française. Vendo as condições de Georges, Forestier o chama para um jantar com a alta roda do grupo parisiense.

Ao adentrar na casa do amigo, Georges conhece a inteligente Madeleine – Uma Thurman – (esposa de Forestier), a sensual Clotilde – Christina Ricci – e a tímida Madame Rousset – Kristin Scott Thomas – (esposa do chefe do jornal). Logo nesta cena fica claro para nós, que as três personagens terão em algum momento um envolvimento amoroso com o jovem Georges.

Através de um conselho de Madeleine, Georges entende que as pessoas mais importantes de Paris não são os homens, mas suas esposas.

Assim, a trama se desenrola (ou se enrola). Vemos como o personagem de Georges movido pela ambição e pela ignorância vai tentar enriquecer. Em um primeiro momento, Georges parece que está atrás apenas de sexo e diversão, mas na verdade, ele precisa dessas mulheres para conquistar uma vida confortável de fortunas. O ciúme e seu orgulho de homem serão colocados à prova na busca desmedida por dinheiro.

A primeira cena do filme em que Georges do lado de fora olha faminto para um restaurante, torna-se uma justificativa para todos os seus feitos interesseiros e impulsivos. Ele não quer mais sentir fome, ele tem medo da fome e nunca mais deixará que isso aconteça. Isso lembra alguma coisa? Sim, ele tem um quê de Scarlett O´Hara, ao fazer de tudo para não passar mais necessidades. Ambos os personagens, usam e abusam de outras pessoas para alcançarem suas vontades materialistas.

Leia mais »

Autor: Tags:

quinta-feira, 26 de julho de 2012 Cinema, Missão Crítica | 17:00

Missão Crítica: “Aqui é o Meu Lugar” traz um dos personagens mais incomuns e excêntricos de Sean Penn!

Compartilhe: Twitter

O nosso primeiro conselho diante do filme é que vá com a mente e coração abertos para conseguir interagir com a trama de Paolo Sorrentino.

A trama tem início ao nos apresentar Cheyenne, um estranho ex-astro do rock, que vive na Irlanda os seus dias entediantes e longe dos holofotes da fama. Ele respira uma mesma rotina, que agora não surte mais o mesmo efeito anestesiante. Cheyenne procura de alguma forma ocupar sua mente com tarefas normais ou tenta poder modificar a vida das pessoas que estão a sua volta.

O longa em um primeiro momento parece ser a busca de Cheyenne em algo que faça sentido para sua vida deprimente, mas o enredo se transforma em um viagem pela busca de si próprio perdido nas profundezas da juventude. É o típico filme que o personagem em algum momento tem sua revelação e consegue finalmente evoluir como ser humano.

Cheyenne descobre que seu pai está morrendo, então toma a atitude de ir para Nova York, depois de 30 anos de reclusão. Tendo medo de morrer em um acidente de avião, decide ir de navio. Após o enterro judaico do pai, Cheyenne descobre que ele viveu o resto dos seus dias em uma caçada malsucedida atrás de um nazista que o fez sofrer durante o holocausto.

Apesar de Cheyenne ter a certeza que seu pai nunca o amou, o ex-astro do rock decide tomar o fardo e aventura-se na busca pelo desconhecido homem. Pelo protagonista não conhecer nem um pouco a história do seu povo, ele acaba se envolvendo e entendendo, mesmo que superficialmente, o sofrimento e o terror do holocausto. A forma como o tema é retratado, acaba tirando a qualidade do longa, e pode beirar ao desrespeito.

Como toda a viagem, Cheyenne encontra diferentes pessoas, que terão ou não influência na mudança de seus pensamentos, e todos eles também são criaturas que enfrentam os seus próprios problemas emocionais.

Sean Penn é um ator que mergulha fundo em seus personagens, e esse não é diferente. Podemos afirmar que este é um dos mais incomuns que já interpretou, não pela maquiagem exacerbada ou pelo cabelo desgrenhado, mas por todas as inusitadas características que compõem Cheyenne. O riso entorpecido, a voz baixa, os olhares indecifráveis e as atitudes inesperadas e muitas vezes infantis.

Para quem viu “Os Osbournes” da MTV, pode até achar que Cheyenne é a reprodução fiel do roqueiro Ozzy Osbourne. Os dois têm um andar cansado, parecem caricaturas, e são seres deteriorados pelo uso excessivo de drogas. O personagem também pode lembrar Robert Smith do The Cure, ainda mais pelo cabelo.

Leia mais »

Autor: Tags:

terça-feira, 24 de julho de 2012 Cinema, Missão Crítica | 10:00

Missão Crítica: “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge” é um triunfo e fecha a trilogia como uma das melhores adaptações de quadrinhos já feitas para o cinema!

Compartilhe: Twitter

Já tivemos várias Missões Críticas, mas essa deve ser uma das mais complicadas.

Como exprimir “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge” em alguns parágrafos e linhas? É complicado… Isso afirmamos com certeza.

Já avisamos que somos contra os “spoilers crucias” em críticas, por isso você pode ler com segurança, não seremos nós que iremos estragar a sua surpresa.

Como no longa anterior, nesta nova sequência temos um abertura de pura ação que deixa qualquer um boquiaberto. Essa é a forma “sutil” de Christopher Nolan nos avisar como serão os próximos 164 minutos do fim de sua trilogia.

A história basicamente tem início 8 anos após os acontecimentos da misteriosa noite em que “Harvey Dent morreu pelas mãos de Batman”. Pelo menos é essa a versão que o Comissário Gordon ainda conta para a cidade de Gotham City, tudo isso para manter a criminalidade em baixa diante da lei anti-crime de Dent.

Mas um feito que se sustenta em uma mentira não é algo que os bons fazem, e Gordon sabe disso, ele se martiriza, se culpa. A mentira transforma Batman em um vilão, quando na verdade deveria ser agraciado por suas atitudes heroicas. Porém, essa mentira tem de se manter para um bem maior – e aí que está à fraqueza de todo o plano.

A lei anti-crime funciona tão bem que a cidade de Gotham City transforma-se num dos lugares mais seguros, assim não só a população quanto os policiais ficam enferrujados, não esperam pela maldade, se “esquecem” do mal.

A entrada da Mulher-Gato prova que o perigo ainda existe, mesmo que de forma disfarçada. Ela fará com que o exilado Bruce Wayne volte à ativa e descubra que a calmaria está prestes a acabar. A pior tempestade se aproxima, e ela se chama Bane, o mascarado irá trazer planos tão terríveis que nem o mais experiente Batman imaginaria.

A aposentadoria de Bruce se mostra o seu inimigo, vemos um Batman lento, um homem fraco e um herói despreparado. E aqui neste ponto que paramos de contar o enredo, se continuarmos os inevitáveis spoilers surgem.

Esse é um dos sinais de uma ótima trama, o roteiro é fechado, sem furos, é como chamamos de “sequinho”, não há barriga, se move de uma forma que você se esquece de que já passaram duas horas e meia de exibição. Além disso, temos todos os detalhes de um fim de uma trilogia: o retorno de personagens, segredos que ligam os três filmes, fatos antes ditos como verdadeiros agora expostos de outra forma e revelações que abalam a moral dos personagens. Em meio a tudo isso, há o destaque para o terrorismo e sua filosofia, e o embate do que é certo e errado diante de uma vida pautada pela mentira heroica.

Leia mais »

Autor: Tags:

sexta-feira, 20 de julho de 2012 Cinema, Missão Crítica | 12:00

Missão Crítica: O filme “Além da Liberdade” é uma das cinebiografias femininas mais inspiradoras da atualidade!

Compartilhe: Twitter

Depois da cinebiografia de “A Dama de Ferro”, onde vemos o pulso firme de Margaret Thatcher, interpretada por Meryl Streep (vencedora do Oscar pelo papel), que sofre as consequências pelos seus atos. A Paris Filmes traz agora “Além da Liberdade”, cinebiografia sobre a incrível Aung San Suu Kyi.

Muitos conhecem por alto Suu Kyi como a vencedora do Prêmio Nobel da Paz, mas poucos sabem a longa batalha que ela enfrentou e continua a enfrentar em sua vida.

O filme conta exatamente essa batalha, o início e momento da virada na vida de Suu Kyi, além de sua impressionante relação amorosa com Michael Aris.

Alguns meses antes da independência de Birmânia, o general, herói do país e pai de Suu Kyi é assassinado, assim instaura-se um regime militar. Após 40 anos, ela volta para sua terra natal em meio a conflitos nacionais para cuidar de sua mãe – que sofreu um derrame, enquanto isso, seu marido e dois filhos que vivem em Oxford, aguardam o seu retorno até que tudo esteja resolvido. Mas isso não acontece…

Suu Kyi resolve assumir a luta de seu pai contra o regime tirano e violento do general Ne Win.

A luta dela é admirável, ela abre mão de sua liberdade e do seu amor para um bem maior. O marido Michael Aris faz de tudo para apoiar Suu Kyi, e cria sozinho os seus filhos. Já que se ela sair de Birmânia nunca mais poderá voltar. Suu Kyi faz uma escolha que terá desenrolamentos cruéis pelas próximas décadas em sua vida. E o general Ne Win fará de tudo para prejudicar e pressionar sua saída, entre elas, proibirá a entrada de sua família no país e a colocará em prisão domiciliar por 15 anos.

A produção é dirigida por Luc Besson, o mesmo diretor de “O Profissional” e “O Quinto Elemento”, ele mostra que consegue sair dos costumeiros filmes de ação ao desenvolver uma biografia de uma mulher tão conhecida. Porém, Luc usa pouco do imediatismo e dinamismo necessários para que o filme desse gênero não caia no marasmo, por isso, há momentos longos e cansativos, mas mesmo assim não é tão sofrido quanto poderia ser. O diretor ainda divide o filme nas questões políticas do país e nas questões particulares de Suu Kyi.

Um dos detalhes visuais de Luc Besson é a divergência entre Birmânia e Oxford, enquanto o país de Suu Kyi tem cores avermelhadas, o país de origem do marido tem cores azuladas. É uma ironia de como uma prisão pode ser quente e uma liberdade ser tão fria. Leia mais »

Autor: Tags:

Cinema, Missão Crítica | 09:00

Missão Crítica: O filme nacional “Menos que nada” não surpreende, mas revela o ator Felipe Kannenberg como um fiel esquizofrênico!

Compartilhe: Twitter

Quando um filme brasileiro procura outra temática que não seja apenas violência, podemos dizer que a tentativa é louvável. O problema é que temas novos e desconhecidos colocados de forma não correta podem causar estranhamento.

O longa “Menos que Nada” começa como se fosse nos passar uma história filosófica sobre a vida e a morte, mas esse momento desaparece e mudamos para uma trama de quebra-cabeças, onde tentamos descobrir como o protagonista Dante parou em um hospital psiquiátrico.

Através de entrevistas realizadas pela jovem médica Paula (Branca Messina), remontamos as últimas semanas de vida lúcida de Dante, assim três personagens irão ajudar (ou atrapalhar) para esclarecer o que pode ter ocasionado o instante de sua loucura.

Se não bastasse tudo isso, ainda há os fósseis pré-históricos, que são os principais catalisadores em toda essa mudança de letargia para o dinamismo nunca antes visto no protagonista. Na infância, Dante guardou no inconsciente a culpa católica pela morte de sua mãe, apesar de não ter nenhuma responsabilidade, seu comportamento é moldado por esse castigo divino.

O ator Felipe Kannenberg, intérprete de Dante e ainda “anônimo” do grande público, nos convence com muito empenho de que estamos diante de um homem esquizofrênico. E antes desse transtorno mental, Kannenberg mostra um personagem tímido a ponto de não olhar nos olhos, frágil e até inocente. De todo o longa, Kannenberg fica com o seu merecido destaque, e talvez seja o único a fazer jus a tal exaltação.

Infelizmente, o elenco de apoio não encontra o tom para interagir com as performances de Kannenberg e sentimos um distanciamento. Além disso, a produção e a trama não são bem sucedidas ao darem veracidade para o campo de Paleontologia e para os tempos pré-históricos, ao contrário do manicômio, que consegue se retratado com mais aproximação e nos confronta com as verdadeiras condições do sistema atual da psiquiatria brasileira.

Por fim, o diretor Carlos Gerbase usa um jogo de câmeras para criar um efeito de 360° graus em torno de todos os personagens em momentos propícios do enredo. Esses giros significam um momento de revelação, de ideia ou de mudança que cada personagem acaba de ter. Isso se mostra bastante eficaz, porém, igualmente repetitivo.

O filme nacional “Menos que nada” não surpreende, mas revela o ator Felipe Kannenberg como um fiel esquizofrênico.

Leia mais »

Autor: Tags:

quinta-feira, 12 de julho de 2012 Cinema, Missão Crítica | 14:00

Missão Crítica: “Na Estrada” expõe a chama de uma geração que procura a vida e a liberdade em sua plena intensidade!

Compartilhe: Twitter

Um livro tem sempre o poder de nos transformar, de nos dar uma nova visão sobre algo que nem tínhamos sequer pensado ou até mesmo nos influenciar por toda uma vida. O livro “Pé na Estrada” de Jack Kerouac se enquadra nas três vertentes. Lançado em 1957, à obra se tornou uma das bandeiras da Geração Beat e catalisador para as próximas gerações.

Por isso, depois de décadas de expectativa, ao ser anunciado que a adaptação chegaria aos cinemas, o fiel público se manteve ansioso e receoso. Um livro como o de Kerouac, teria de ser bem montado nas telonas para que não houvesse uma descaracterização da inspiradora trama.

Na história, seguimos Sal Paradise, um jovem aspirante a escritor, que com a recém-perda do pai, conhece o apaixonante e destemido Dean Moriarty e a ninfeta Marylou. A chegada de Dean irá afetar profundamente Sal, que a procura da verdadeira liberdade e um material para sua escrita, anda sem roteiro pelas estradas dos EUA. Assim, Sal irá ter contato com pessoas peculiares e extremamente interessantes. Ele não deixará de ter um papel e um lápis para registrar esses momentos únicos de sua vida.

O diretor brasileiro Walter Salles foi o escolhido para dar a vida a essa adaptação praticamente dita pelos críticos como “impossível de ser feita”. Não havia melhor escolha, Salles que dirigiu “Diário de Motocicleta”, entende muito bem como percorrer as estradas físicas e filosóficas dos “road movies”. E neste longa, ele fez o melhor com o material que tinha em mãos.

Salles também nos deu cenas que captam nossa atenção e extasiam os olhos, por exemplo, um dos momentos altos do seu brilhantismo é a festa do ano novo, em que Dean e Marylou se relacionam intensamente através de uma dança transpirante. Além dos olhos, os nossos ouvidos são mergulhados no jazz da época, bem contextualizado e nunca esquecido no decorrer do filme.

A direção de arte é impecável e minuciosamente pesquisada, claramente o figurino até para os jovens poetas se contrastam com os dos jovens que seguiam a moda do tempo. Essas junções nos transportam para esse tempo, em que ser educado e puxar assunto com estranhos era uma questão de educação. Constata-se abertamente o esforço coletivo da produção para não decepcionar a adaptação, e o elenco tenta seguir essa métrica com o mesmo empenho. E é bem sucedido nisso!

No elenco, o nosso primeiro destaque fica com Kristen Stewart como Marylou, as pessoas sempre fazem questão de dizer que ela não tem talento, e usam a saga “Crepúsculo” para diminuí-la, mas aqui isso muda completamente. Stewart comprova que moldada do jeito certo, nos traz um desempenho que encaixa perfeitamente para o papel. Ela mostra que ainda tem aquele talento exposto em “Natureza Selvagem”, e que não tem medo da nudez e da exposição. Como sempre afirmamos: um ator ou atriz que se esforça é sempre louvável, pois tenta sair de sua zona de conforto. Para os fãs dos vampiros, vão encontrar outra atriz, e a imagem de Bela será desfeita na primeira cena e aparição de Marylou pode chocá-los.

O mesmo esforço de Stewart se repete no ator Garrett Hedlund, a imagem de “Tron: O Legado” desaparece e nasce Dean Moriarty, se ele não desse o tom certo para Dean, grande parte do longa estaria praticamente arruinado. Felizmente, Garrett consegue passar a virilidade, paixão, atração, carisma e liberdade que o personagem pede. Contudo, Dean Moriarty, no livro, tem uma força cativante e um comportamento de um homem maior que o mundo, no filme, isso se perde e ele fica retratado como apenas um jovem irresponsável que não consegue terminar nada que inicia, e muito menos entende as consequências de sua vida andarilha, movida por sexo, álcool e drogas.

A voz do ator Sam Riley é forte por natureza, e ao passar as palavras de Sal Paradise torna-se quase hipnótica. Sal é um personagem descobridor, aventureiro e observador, Sam tenta demonstrar o mesmo, mas sua atuação é ofuscada muitas vezes pelos seus companheiros de cena. Tendo mais destaque nos momentos solitários. Leia mais »

Autor: Tags:

quinta-feira, 5 de julho de 2012 Cinema, Missão Crítica | 17:00

Missão Crítica: "O Espetacular Homem-Aranha” é voltado para os fãs dos quadrinhos, que mesmo assim vão reclamar!

Compartilhe: Twitter

Podemos dizer que “O Espetacular Homem-Aranha” estreia em um ambiente complicado e inóspito.

Vamos assumir que quando foi anunciado o reinício da série Homem-Aranha, não houve uma ansiedade muito grande por nossa parte. Devemos lembrar que faz apenas 5 anos que o “Homem-Aranha 3” chegou aos cinemas brasileiros. Por isso, pareceu muito estranho essa correria para dar um reboot. Passa até uma sensação desrespeitosa com toda a equipe que realizou a primeira trilogia, mesmo que o estúdio não tivesse tido essa intenção, muitos sentiram isso.

Contudo, os fãs dos quadrinhos foram os primeiros que levantaram a bandeira em favor ao filme, já que grande parte nunca gostou dos longas criados por Sam Raimi. Então, pareceu uma boa ideia para eles.

Um dos problemas desse “reinício” é que serão feitas comparações minuciosas da produção atual com o longa de 2002, e não tem jeito, as críticas também vão apontar as semelhanças e diferenças.

Pode ser dito que a trama é praticamente igual nos dois filmes, mas as mocinhas, vilões e abordagens são totalmente diferentes.

É aquele costumeiro enredo, Peter Parker é deixado pelos seus pais aos cuidados do Tio Ben e Tia May. Agora na adolescência, ele não tem amigos, é desajeitado e ainda sente-se apaixonado por uma bela jovem, chamada Gwen Stacy.

Nessa descoberta pelo primeiro amor, ele também desenterra o misterioso passado dos seus pais, que o leva até ao laboratório do Dr. Curt Connors, antigo amigo e colega de profissão do seu pai.

Nesse mesmo lugar, Peter é mordido pela famosa aranha que lhe dará os poderes que transformarão sua vida. Esse novo caminho o levará a se questionar sobre o que é certo e errado. O Dr. Curt também irá guerrear com sua consciência sobre o que é ético e imoral, no entanto, perde sua razão na batalha e se transforma no maldoso Lagarto. Ele fará de tudo para que todos entendam a sua nova doutrina, mesmo que use a força.

Dessa forma, entra em ação o herói Homem-Aranha que é o único que pode detê-lo. Mas clichê, impossível, não é?!

Quando dissemos anteriormente que os filmes têm abordagens diferentes, não estamos exagerando! O “Homem-Aranha” é um filme que tem puro entretenimento e ação sequencial do início ao fim. Já “O Espetacular Homem-Aranha” só tem a ação esperada do meio para o término da trama, antes a história se decorre com mais pitadas de realismo. Por um momento até temos a sensação de estarmos assistindo um seriado de TV, mas isso passa.

Outro fator que incomoda é a pressa de se contar vários momentos da vida de Peter Parker. Fica claro que o roteiro tenta em não se parecer em nada com a produção de 2002, entendemos o motivo, sendo que essa atitude custa caro ao desenvolvimento posterior da dinâmica.

Os efeitos visuais conseguem ser muito bons, não surpreendem, já que vimos muitos deles nos longas anteriores do aracnídeo. Porém, estão bem mais sofisticados. Uma aparição entre os indicados a Melhor Efeitos Visuais do Oscar 2013, não será surpresa, e ainda pode abocanhar as vagas de mixagem e edição de som.

Quanto aos personagens, à escolha de colocar o Lagarto como único vilão não parece acertada, já que os valores do Dr. Curt são ambíguos, ele não dá o devido suporte que faz o herói se destacar merecidamente dentro da trama. O interprete Rhys Ifans não faz feio ao representar os seus ideais e sonhos a serem realizados do seu personagem.

A bela Emma Stone achou o tom da mocinha sem deixá-la chata e em alguns momentos ainda colocou o seu cômico jeito de ser.

Os veteranos Martin Sheen e Sally Field, através das falas, atitudes e olhares, dão o apoio necessário dentro dos conflitos, os dois conseguem dar mais credibilidade na dramaticidade.

Por fim, chegamos à questão mais dramática: E Andrew Garfield? Como foi? Leia mais »

Autor: Tags:

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. Última